terça-feira, 5 de abril de 2011

Beijo é Assunto de Homem

      Uma grande curiosidade minha sobre o comportamento homossexual é por que a maioria dos gays não se beijam como forma de cumprimento. Normalmente homens beijam mulheres como uma forma de ser gentil ou caloroso em uma recepção, porem não beijam outro homem em forma alguma, a não ser um filho ou irmão. Uma vez que um homem hetero beija uma mulher como cumprimento, um gay poderia fazer o mesmo com outros homens, sem perda de sentido. O problema talvez seja que beijar outro homem contraria a regra que um homem não beija outro a não ser em circunstancias muito especiais. Mas ainda, talvez esta seja uma destas circunstancias.
      Hoje a noite sonhei que dava um beijinho em um colega antes de uma prova tensa de uma matéria técnica muito comum em faculdades de ciências e engenharias. Porem neste sonho em particular, eu beijava mais uma vez, mais outra... A boca ia mudando o alvo... Acho que já deu pra entender que meu colega não foi fazer a tal prova. Alem de evidenciar o fato de que acho meu colega simplesmente lindo, maravilhoso e tudo de bom, este sonho serviu pra me iluminar de mais uma coisa importante: Ainda existe a possibilidade de que um simples beijinho em um homem simbolize muito mais que um vínculo de amizade, no caso de um deles ser gay.
       Um exemplo simples é que na noite em que dei o meu primeiro beijo na boca, eu dei um abraço forte no garoto que eu gostava, e dei-lhe um beijo no ombro, já convencido de que nunca ia o beijar pra valer. Poucos minutos depois ele tomou a iniciativa e me sentou um senhor beijo. Juro que por um tempo eu fiquei inerte até, mas logo cedi ao momento. Mas isso não é o que eu quero falar, quero só evidenciar minha ultima hipótese. Se eu não tivesse dado um beijinho no ombro deste garoto, nada disso tivesse acontecido.
Já ouvi casos, e não poucos, onde um beijinho na bochecha vira, por acidente (pelo menos no que os envolvidos relatam), um beijo firme e longo na boca. Ainda existem alguns que afirmam categoricamente que um beijinho pode ser muito mais romântico que um beijo na boca. Apesar de achar o beijo na boca muito mais prazeroso, tenho que concordar que o tom lúdico e Candido do “beijinho” dá a ele toda uma aura dourada e mágica que o “beijaço” não tem.
      De fato, o beijar o não outro homem no rosto é uma questão de habito. Na idade media, grandes proprietários de terra firmavam contratos com beijos. Na Rússia, amigos homens se cumprimentam com beijos na boca. Repito pra que não haja erro de compreensão: NA BOCA. Alias, era um costume muito grande antes da Era Cristã, que com as revoluções e revoltar do fim da idade media, acabaram se diluindo. Hoje, no Brasil, um pais visto como liberal, temos receio de tocar pessoas do mesmo sexo, sendo ou não gays. Acho que este medo é tão grande e incrustado em nossa cultura que precisaríamos de mais revoluções como as de XVI e XVII pra reverter este quadro. Se é que é possível o reverter.

terça-feira, 29 de março de 2011

Menino Moreno

Quando o menino moreno me olha só me falta desmaiar. Ah, aqueles olhinhos negros brilhando contra a luz do sol... Eles são lindos...
A pele da cor do trigo seco parece me chamar, me cativar, me distrair... E suas mãos deslisando sobre seu braço e rosto... Seus lábios...
Garoto que me encanta, está sempre tão perto de meus sonhos, mas tão longe de mim...
De amigo à amante, e de amante à onde quiser... Os sonhos são tão palpáveis na mente, mas não no corpo...
Mas não perderei nunca a esperança: Um dia ainda caminharemos de mãos dadas, menino moreno...

terça-feira, 8 de março de 2011

Faggot

     É irritante ver que você poderia ter feito diferente e ter se dado bem. Eu sinceramente esperava mais de você. Esperava que fosse um garoto especial com sentimentos e personalidade, mas me decepcionei. Você por dentro se mostrou muito mais do que um dia eu pensei que fosse, mas de que adianta isso tudo ai dentro se não sai. Eu esperava que você ao menos tentasse ser você.
     Eu fui iludido a um encontro que eu achava que podia render bem mais que uma simples saída de amigos, porem preferi não me iludir. Não te abracei como faço sempre com meus amigos que são assim como eu, pois ainda não tinha certeza de quem você era. Mas com o andar da tarde eu fui gostando cada vez mais de você, vendo como era especial. Uma pessoa impar sem sombra de duvidas. Mas tive que digerir o fato que não era como eu e que eu teria que me contentar em ser um grande amigo seu.
     Eu criei um amor fraternal muito grande por você, tão grande que nem pode imaginar. Eu via seu rosto em minha mente todos os dias e pensava em mil maneiras de te ajudar. Certa vez te mandei umas mensagens e esperava sua resposta, e depois de dois dias sem nem um sinal de vida revirei todos os obituários da cidade pensando que algo péssimo poderia ter acontecido.  Pense com sigo mesmo: Eu sou normal? Não, né... Dizem que quem não é normal é especial...
     Mas hoje vi uma face sua que eu não sabia que existia. Uma face tartaruga, escondida e com medo dentro de uma casca dura. Uma ostra carrancuda ocultando a perola que tem ai dentro. Senti por um instante que você não era quem eu conheci. Vi sua face de distancia entre pessoas que não tem nada haver com você. Mesmo sem o mínimo conforto insistia em permanecer em pessoas diferentes de si... E eu me pergunto pra quê?  Pra se sentir um deles? Nossa, você nunca será um deles, felizmente! E também não é pra perder os amigos que tem, pois você é grande o suficiente pra saber que se perde uns e ganha outro... Sinceramente, alem de sair por não estar a vontade, virei as costas por que não ia suportar te ver sofrendo aquilo tudo por vontade própria!
     Eu te disse coisas que podem ter ofendido, e que pode ter achado até que eu queria simplesmente dormir com você. Mas eu na verdade quero que meu amigo seja homem e viva a sua vida, não a de outros. Não quero que você seja mais uma bichinha não! Quero que seja um guerreiro, mesmo que chore as vezes. Chorar não deixa ninguém mais ou menos homem, mas se negar pra agradar os outro é sim passividade, fraqueza, idiotice e uma atitude digna de uma bichinha.
     Desculpa, é a segunda vez que eu falo verdades pra você, e acho que exagerei. Mas não seria seu amigo se guardasse isso pra mim. Acima de tudo, não serie eu mesmo se deixasse você não se amar!

"Se você fosse você, como seria e o que faria?"
(Clarice Lispector)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vanilla

      Talvez ficar em casa parecesse até uma idéia promissora, mas na eminência do ócio e da depressão, que já estavam ficando rotineiros, resolvi sair com o meu irmão e uns amigos dele. Meu irmão era um tipo bem diferente de mim no que diz respeito à interesses, educação e inteligência. (Todos dizem que somos extremamente parecidos fisicamente, embora eu discorde.) Mas, por sorte, tinha ótimos amigos. O nosso destino era uma livraria, sentar e tomar café. Já era um compromisso comum, sempre o mesmo lugar, as mesmas pessoas...
      Ao chegarmos ao lugar lá estavam quatro rostos parados e sorridentes nos observando. A primeira da esquerda era Roberta, um tipo bem interessante. Ela tinha a frente uma folha de papel onde esboçava um desenho qualquer enquanto conversava e usava óculos com uma armação grossa e rosa. Apesar do sorriso contagiante, ela parecia estar meio apreensiva, pois sua nota do vestibular sairia em breve. Ao lado dela estava a outra garota da mesa, a Juliet. Juliet era francesa de criação, mas já estava a seis anos no Brasil. Isso era ótimo pra mim, pois também falo francês e podia “soltar internas” que ninguém na mesa entenderia. Ela tinha modos exemplares, que muitas vezes ela achava que ofendiam as pessoas ao redor, mas eu adorava isso nela. Seguindo pela mesa, tínhamos o meu primo, Breno. Ele era o menino típico do nosso circulo de amizades. Sua lista de interesses incluíam computadores, shopping, cinema, livros de aventura e dinheiro.
      O ultimo dos que lá estavam era Filipe, um garoto bem “peculiar”.  Digo isso primeiro por que ele não trans parecia um estilo muito forte, nem por roupa nem por comportamento,  e por mais que parecesse forte, lutasse e sempre sorrisse, por dentro estava passando por diversos problemas pessoais. Fiquei sabendo que ele tinha tentado suicídio algumas vezes, mas como ele não fala disso, não me meto. Mas tinha outra coisa de peculiar com ele: O fato de ser o tipo de garoto que dá vontade de abraçar. É impossível não querer ajudá-lo, mesmo sabendo que ele prefere continuar levando tudo sozinho. Talvez não saiba o peso que carrega por que nunca se viu sem ele, ou por que não dívida muito o fardo, mas ele tem o levado até bem.
      Sentamos em dois lugares vagos que tinham na mesa. Eu fiquei ao lado do Filipe e da Roberta, meu irmão ficou entre a Juliet e o Breno. Pouco a pouco nos interamos do assunto da vez, que nada mais era do que os livros que estavam pra sair este ano. Juliet tinha na mão um encarte da livraria, e com um lápis que pegou com a amiga que desenhava, foi circulando os livros que ainda não tinha lido e que a interessavam. Roberta falava de um mangá que sairia daqui a dois dias e que estava louca pra comprar. Logo reconheci que ela desenhava o jovens garotos protagonistas do tal mangá (reconheci pois também estava esperando o mesmo lançamento).
      Não demorou e a garçonete chegou sorridente, com três menus e os distribuiu entre nos. Filipe estava conferindo a lista comigo e se perdeu, confuso entre as opções. Pediu minha ajuda, e eu gastei uns cinco minutos tentando lhe explicar cada tópico, mas foi inútil, parecia que ele não prestava atenção. Quando a garçonete voltou foi anotando os pedidos um por um.
      - Café com creme e uma baguette. – Breno falou apontando no cardápio.
      - Capuccino e uma baguette também. – Meu irmão.
      - Um pettit gateau com molho de manga. – Acho que nem preciso falar que foi o pedido da Juliet.
      - Chá gelado e três cupcakes. Um de morango, outro de cereja e o terceiro... Hum... De chocolate. – Disse Roberta, que era literalmente viciada nestes bolinhos.
      - Bem... – Fui pensando com calma enquanto deslizava o dedo pelo menu. – Um expresso grande e uma fatia de torta de baunilha. – Realmente não foi um pedido nem um pouco original, e bem simples comparado aos colegas de mesa, mas eu estava sem muita vontade de comer.
      - Eu? Vou querer o mesmo que ele. – Quando olhei pro Filipe, ele estava apontando pra mim. Me assustei a principio, mas como ele estava sem idéia do que comer, pelo menos não ficou sem comer nada. No entanto, se eu soubesse de antemão, teria pedido profiteroles talvez... ou algo mais aprimorado...
      Enquanto esperávamos os lanches, continuamos conversando. Roberta e Juliet foram ao banheiro, por insistência da segunda que praticamente arrastou a amiga que relutava pra poder acabar um detalhe no olho do seu desenho. Falei com Filipe que poderia ter dito que eu fazia o pedido dele, porem a minha resposta foi um riso embaraçado com a mão na nuca. Não demorou muito e as garotas voltaram e se sentaram, mas não sei bem por que elas trocaram de lugar. Uma coisa estranha sempre acontece quando duas mulheres vão no banheiro juntas (e elas sempre vão juntas).Porem desta vez parece que nada de mais aconteceu, alem é claro do lapiz de olho da Roberta ter ficado um pouco mais forte, pois ela deve ter retocado no banheiro.
      Juliet pegou um pedaço de papel com a amiga e uma caneta de nankin, e começou a rabiscar num pedaço de papel. Enquanto isso eu foliava um livro que tinha pego lá perto, escrito por uma amiga paulista. Ela acabou de escrever, me chamou e pediu minha ajuda com uma coisa de francês que ela não lembrava mais. Eu achei estranho, afinal ela fala isso desde que nasceu, mas me propus a ajudar. Na folha de papel as palavras: “Imaginez que nous débattons de ce qui est écrit ici. Je dois vous demander une chose.” (“Finge que estamos debatendo o que está escrito aqui. Preciso te perguntar uma coisa.”)  Me assustei a principio, mas tentei parecer natural. Olhei pra ela e perguntei: “Qu'est-ce qui se passe?” E a pergunta que ela tinha pra fazer era aparentemente boba. Ela perguntou se eu estava namorando. Respondi que não mais, pois tinha saído de um namoro a pouco mais de um mês.
      Para a minha surpresa a pergunta seguinte. Se eu estava vendo que o Filipe estava me “olhando”. Sim, este olhando foi reforçado com gestos de aspas. Fiquei pasmo, e quando esbocei me virar pra verificar, numa atitude completamente idiota, ela me advertiu que parasse. Conversamos mais um pouco, porem ela disse que queria só me contar isso. Eu demorei um tempo pra me dar conta, mas fazia sentido sim. Pelas atitudes que ele vinha tomando a tarde toda... Porem ficava a duvida: O que fazer?
      Nunca pensei em ficar com ele, mas era inegável que poderia perfeitamente acontecer. Ele é bonito, inteligente, simpático... Espantava-me cogitar algo assim, mas já que estava na situação, não havia outro remédio alem de pensar na melhor atitude e tomá-la o mais rápido o possível. Sei que ele está saindo de um relacionamento complicado, e com uma garota, e pode ser que não passe de carência... Ou ainda, pode ser que não passe de uma serie de coincidências... Não... É real... Basta esperar e ver o que vai acontecer...
      Os pedidos chegaram bem a tempo de interromper minha reflexão. Todos foram se servindo, e por incrível que pareça, achei meu pedido muito mais nobre depois que o vi. Era uma linda xícara de porcelana com pintura a estilo portuguesa cheia de café escuro e soltando fumaça. Ao lado um pedaço retângulas médio de bolo claro e bem aerado, com uma pequena flor ao lado, de decoração. Uma mão pousou em meu ombro, e me virei pra ver:
      - Isso é que é uma baunilha? – Disse Filipe, segurando a flor que havia tirado do prato. – Sempre achei que elas fossem brancas...
      - Não, isso é uma violeta. Flores de baunilha são amarelas e parecem orquídeas, mas o que usamos pra preparar comida são as vagens secas, que são pretas. Elas não chegam a corar o bolo por que se usa muito pouco, pois o cheiro é muito forte. Mas gosto de violetas. Elas são roxas... Amo roxo...
      Sorri e ele retribuiu o sorriso. Virei pra voltar a apreciar os detalhes da minha xícara. As pinturas eram pastoris, com fazendas, gado... tudo em um tom de azul muito bonito. O café tinha um cheiro ótimo, mas não gosto dele muito quente, logo iria começar comendo o bolo. Quando fui pegar a talher, notei em meu prato duas violetas, e não mais uma. Olhei para o prato do Filipe e não tinha mais flor nenhuma. Ele estava olhando de lado para mim, fingindo (muito mal) que não estava observado. Sorri e disse obrigado e voltei pro meu bolo.
      Como me preocupava muito em estar no assunto da mesa, por mais que o bolo estivesse delicioso, quando todos acabaram eu ainda estava com um terço do meu bolo no prato. Não demorou muito e meu irmão e o Breno foram olhar os livros que eles usariam este ano na faculdade. Filipe já tinha saído a algum tempo pra olhar um livro que queria comprar. Assim ficamos só eu e as meninas na mesa. Esta era a oportunidade certa que Juliet esperava pra falar.
      - E ai? Você não vai fazer nada não?
      - Eu, fazer o que?
      - Que tal começar olhando no fundo dos olhos dele e falando “Aishiteru...” e tascar um beijo nele. – E o pior é olhar pra cara da Roberta e ver que ela está falando serio. 
      - Eu não posso fazer uma coisa destas! Primeiro que ele é um amigo, segundo por que ele é hetero!!! Não vai rolar, gente!!!
      - Alastus! Este menino ta ai a duas horas do seu lado, pensando que ta numa gôndola em Veneza, louco pra ver uma atitude sua. Hetero? Heteros dão flores assim pra outros homens? – Juliet olha fixo em meus olhos. Era inegável ver verdade no que ela falava.
      - Bom. Esteja você pronto ou não, seu oujisama vem ai! Juliet, me deu uma vontade de procurar uns DVDs de animes. Vem comigo!!!
      Antes que eu pudesse pensar em algo, estava sozinho na mesa... Correção, Filipe logo se sentou ao meu lado, e trazia consigo um livro de Gonçalves Dias. Sorri e perguntei:
      - Não sabia que gostava deste tipo de poesia. Por que este livro?
      - Queria ler algo pra você, pode ser?
      Fiquei gelado. Ele Estava meio embaraçado, como quando decoramos um texto e esperamos horas até ter coragem. Não podia negar um pedido assim, por mais que saiba que possa ser não inocente... A quem estou enganando? Adoraria que ele lesse pra mim. Acenei com a cabeça e ele começou a ler.
      
      Vês como aquela baunilha
      Do tronco rugoso e feio
      Da palmeira - em doce enleio
            Se prendeu!
      Como as raízes meteu
      Da úsnea no musgo raro,
      Como as folhas - verde-claro -
            Espalmou!
      Como as bagas pendurou
      Lá de cima! como enleva
      O rio, o arvoredo, a relva

      Já tinha relaxado um pouco e me reclinava pra acompanhar no livro o poema. Ele arredou sua cadeira pra perto da minha lentamente, pra me dar uma melhor visão da página amarelada...

            Nos odores!
      Que inspiram falas de amores!
      Dá-lhe o tronco - apoio, abrigo.
      Dá-lhe ela - perfume amigo,
      Graça e olor!
      E no consórcio de amor
      - Nesse divino existir -
      Que os prende, vai-lhes a vida
      De uma só seiva nutrida,
      Cada vez mais a subir!
      Se o verme a raiz lhe ataca,
      Se o raio o cimo lhe ofende,
      Cai a palmeira, e contudo
      Inda a baunilha recende!
      Um dia só! _ que mais tarde,
      Exausta a fonte do amor,
      Também a baunilha perde
      Vida, graça, encanto, olor!

      Foi nesta hora que senti que ele estava com a mão por cima do meu ombro e eu como um tolo já estava com a cabeça no seu ombro. Era inevitável... Eu estava me entregando de bandeja... Neste momento meu coração já pulsava como uma bomba relógio... Uma hora ele iria explodir... Estava nos braços de um garoto lindo e doce que me lia lindos versos de Gonçalves Dias, não podia resistir aos meus impulsos de que isso é a coisa mais romântica do mundo e que queria viver isso pra sempre...

      Eu sou da palmeira o tronco,
      Tu, a baunilha serás!
      Se sofro, sofres comigo;
      Se morro - virás atrás!
      Ai! que por isso, querida,
      Tenho aprendido a sofrer!
      Porque sei que a minha vida
      É também o teu viver.
      
      Ele fechou o livro e olhou pra baixo por um instante... Sabia o que ele queria, mas não sei se deveria... Sei apenas que naquele momento eu também queria... Olhei pra ele, ele me olhava... Coloquei a mão em seu queixo e a subi deslizando lentamente ate a sua nuca... Aproximamos nosso rosto...
      Quando todos voltaram o meu café finalmente estava frio.
    

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Delírio Pré-sono

Ok, sei que você vai negar
Mas sabe quando você deita de noite
E vê o seu quarto vazio e sem ninguém
Se fechar os olhos por um instante
Vai sentir um desejo inigualável
De estar com alguém
(onde alguém pode ser qualquer que queira,
E estar pode ser entendido de diversas formas)
Mas será inevitável pensar
Que sente o sussurrar na sua orelha
Ou a respiração lenta na sua nuca
Quando ver estará se derretendo
E tendo alucinações de um amante
Que na verdade é apenas vento
Sentirá tocar seus lábios
Mas será apenas sua mão
Sentirá acariciar um corpo
Mas será apenas ser travesseiro
E torça pra não se dar conta das ilusões
Pois se delas despertar de repente
Passara uma triste noite de solidão
E às vezes vale mais a pena
Fechar os olhos e continuar a desejar

Ok, sei que vai dizer que nunca se sentiu assim
Que é uma coisa idiota de gente carente
Mas eu sou uma pessoa idiota e carente
Que passou por isso diversas vezes
E tem passado ultimamente...


ANOTHER NIGHT ALONE by ~darkprophecy on deviantART

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Parte 1: "Como imãs"

     "Como imãs", pelo menos é o que dizia a letra da musica que eu sempre ouvia. Mas neste caso em particular um imã um pouco diferente. Ele era muito diferente de tudo que eu tinha em mente, porem não tinha duvidas de que queria (e ainda quero) passar o resto da minha vida com ele. Não era nada muito, nem muito bonito, nem muito inteligente, nem muito nada... Talvez isso o tornasse tão especial pra mim, a final é dado estatístico que quem é muito bonito não é lá genial, e vice e versa. (Por isso existe Nobel e Miss Universo, por que ambas as qualidades são boas.) 
     Consegui a proesa de encontrar um rapaz que não é o colosso de Dionísio, mas é lindo em cada detalhe de seu sorriso e de seus contornos definidos unicamente pelo trivialmente belo. Ele também não é um gênio, que não sabe integrar nem derivar, mas que sabe ser gente, sabe da vida, que porta uma sabedoria impar em muitas coisas, tão impar que merecia um Nobel (Não de Física ou da Paz, mas sim de “Vivencia”). O que mais eu poderia querer?
     Na verdade o que eu sempre faço é querer um pouquinho a mais do que o que eu atualmente tenho. Isso me ajuda a nunca desistir de tentar melhorar, de evoluir. Quanto a este garoto, o que eu queria pode não parecer muito pra vocês, mas pra mim é: Eu queria que ele gostasse de mim de algum modo. Isso não é algo pelo qual se possa batalhar da mesma forma de quem quer correr dez quilômetros ou comer três pizzas família sozinho. Não adianta treino ou uma alimentação, ou ainda uma mandinga qualquer. Quando se quer que alguém goste de você, o máximo que pode fazer é ser você mesmo! Parece besteira de filme romântico, né? Mas se não estiver sendo você, a pessoa não vai gostar de você, e sim da coisa que está fazendo.
     Na verdade tem algo que podemos fazer pra tentar saber se estamos tendo êxito no que queremos: Tentar fazer com que a pessoa demonstre que gosta de você. Outra coisa não muito trivial. Uma vez li num livro qualquer que o que temos que fazer é chegar nosso rosto bem perto do da pessoa, pedir pra ela não se mexer, soprar bem de leve, observar as reações e depois simplesmente dizer que tinha um cisco nos olhos dela. Sinceramente, eu já fiz. Não recomendo, por que geralmente a pessoa fica imóvel e você só acaba descobrindo que se chegar o rosto perto do daquela pessoa mais uma vez vai acabar beijando ela sem nem pensar nas conseqüências.
       Já não tendo estratégia nenhuma, a melhor coisa a fazer (e é o que eu fiz) é tentar se aproximar até que a pessoa demonstre estar mesmo afim. Caso alguém ai tente essa tática, tomara que tem há tanta sorte quanto eu, pois quando a demonstração da pessoa veio, foi tão marcante e especial, que escrevi o que tinha escrito num papel e coloquei no meu travesseiro, para que quando eu acordasse pensando que tinha sido mais um sonho bom, tivesse onde me certifica se era sonho ou não...  



Continua...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amor e Responsabilidades...

"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé." (Le Petit Prince)

    "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Uma raposa falou isso para um pequeno príncipe de um planetinha sem importância... Pena, nem todos nos somos príncipes. E tantas são as vezes que achamos que estamos lidando com um e infelizmente nos iludimos.
     Por tempos eu achava que sendo um príncipe, seria cercado de pessoas que vendo meu jeito de agir e entendendo como eu penso, pensariam da mesma maneira. Via-me como um mentor de inúmeros principezinhos que sairiam por ai ensinando outros tantos... Ledo e infantil engano...
     Talvez eu seja o ultimo “ouji-sama” do mundo... O ultimo que vai dizer “Eu te amo” Sempre que sentir que ama alguém de verdade, mesmo que a pessoa não esteja perto pra ouvir. Talvez o ultimo a sentir real falta de alguém, a pensar na pessoa amada o dia todo, a não esperar ser amado, e sim respeitado como amante que é... Talvez o maior dos equívocos seja achar que de uma fabula de Antoine de Saint-Exupéry poderia tirar meu jeito certo de viver, e achar que todos deveriam pensar assim...
     Porem, relendo as páginas eu vi um fato que não tinha me atentado... As vezes é necessário cativar também... É nesta parte que talvez tenha falhado... Porem, tudo que fiz até agora foi encher uma folha de “talvez”.
     O jeito é esperar o próximo que me cative, e torcer pra que o ultimo que me tenha cativado saber de seu feito e do peso que ele acarreta... Quanto ao futuro, eu não sei, mas espero um daí olhar no fundo dos olhos de alguém e dizer: “Eu TAMBEM te amo!”