terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vanilla

      Talvez ficar em casa parecesse até uma idéia promissora, mas na eminência do ócio e da depressão, que já estavam ficando rotineiros, resolvi sair com o meu irmão e uns amigos dele. Meu irmão era um tipo bem diferente de mim no que diz respeito à interesses, educação e inteligência. (Todos dizem que somos extremamente parecidos fisicamente, embora eu discorde.) Mas, por sorte, tinha ótimos amigos. O nosso destino era uma livraria, sentar e tomar café. Já era um compromisso comum, sempre o mesmo lugar, as mesmas pessoas...
      Ao chegarmos ao lugar lá estavam quatro rostos parados e sorridentes nos observando. A primeira da esquerda era Roberta, um tipo bem interessante. Ela tinha a frente uma folha de papel onde esboçava um desenho qualquer enquanto conversava e usava óculos com uma armação grossa e rosa. Apesar do sorriso contagiante, ela parecia estar meio apreensiva, pois sua nota do vestibular sairia em breve. Ao lado dela estava a outra garota da mesa, a Juliet. Juliet era francesa de criação, mas já estava a seis anos no Brasil. Isso era ótimo pra mim, pois também falo francês e podia “soltar internas” que ninguém na mesa entenderia. Ela tinha modos exemplares, que muitas vezes ela achava que ofendiam as pessoas ao redor, mas eu adorava isso nela. Seguindo pela mesa, tínhamos o meu primo, Breno. Ele era o menino típico do nosso circulo de amizades. Sua lista de interesses incluíam computadores, shopping, cinema, livros de aventura e dinheiro.
      O ultimo dos que lá estavam era Filipe, um garoto bem “peculiar”.  Digo isso primeiro por que ele não trans parecia um estilo muito forte, nem por roupa nem por comportamento,  e por mais que parecesse forte, lutasse e sempre sorrisse, por dentro estava passando por diversos problemas pessoais. Fiquei sabendo que ele tinha tentado suicídio algumas vezes, mas como ele não fala disso, não me meto. Mas tinha outra coisa de peculiar com ele: O fato de ser o tipo de garoto que dá vontade de abraçar. É impossível não querer ajudá-lo, mesmo sabendo que ele prefere continuar levando tudo sozinho. Talvez não saiba o peso que carrega por que nunca se viu sem ele, ou por que não dívida muito o fardo, mas ele tem o levado até bem.
      Sentamos em dois lugares vagos que tinham na mesa. Eu fiquei ao lado do Filipe e da Roberta, meu irmão ficou entre a Juliet e o Breno. Pouco a pouco nos interamos do assunto da vez, que nada mais era do que os livros que estavam pra sair este ano. Juliet tinha na mão um encarte da livraria, e com um lápis que pegou com a amiga que desenhava, foi circulando os livros que ainda não tinha lido e que a interessavam. Roberta falava de um mangá que sairia daqui a dois dias e que estava louca pra comprar. Logo reconheci que ela desenhava o jovens garotos protagonistas do tal mangá (reconheci pois também estava esperando o mesmo lançamento).
      Não demorou e a garçonete chegou sorridente, com três menus e os distribuiu entre nos. Filipe estava conferindo a lista comigo e se perdeu, confuso entre as opções. Pediu minha ajuda, e eu gastei uns cinco minutos tentando lhe explicar cada tópico, mas foi inútil, parecia que ele não prestava atenção. Quando a garçonete voltou foi anotando os pedidos um por um.
      - Café com creme e uma baguette. – Breno falou apontando no cardápio.
      - Capuccino e uma baguette também. – Meu irmão.
      - Um pettit gateau com molho de manga. – Acho que nem preciso falar que foi o pedido da Juliet.
      - Chá gelado e três cupcakes. Um de morango, outro de cereja e o terceiro... Hum... De chocolate. – Disse Roberta, que era literalmente viciada nestes bolinhos.
      - Bem... – Fui pensando com calma enquanto deslizava o dedo pelo menu. – Um expresso grande e uma fatia de torta de baunilha. – Realmente não foi um pedido nem um pouco original, e bem simples comparado aos colegas de mesa, mas eu estava sem muita vontade de comer.
      - Eu? Vou querer o mesmo que ele. – Quando olhei pro Filipe, ele estava apontando pra mim. Me assustei a principio, mas como ele estava sem idéia do que comer, pelo menos não ficou sem comer nada. No entanto, se eu soubesse de antemão, teria pedido profiteroles talvez... ou algo mais aprimorado...
      Enquanto esperávamos os lanches, continuamos conversando. Roberta e Juliet foram ao banheiro, por insistência da segunda que praticamente arrastou a amiga que relutava pra poder acabar um detalhe no olho do seu desenho. Falei com Filipe que poderia ter dito que eu fazia o pedido dele, porem a minha resposta foi um riso embaraçado com a mão na nuca. Não demorou muito e as garotas voltaram e se sentaram, mas não sei bem por que elas trocaram de lugar. Uma coisa estranha sempre acontece quando duas mulheres vão no banheiro juntas (e elas sempre vão juntas).Porem desta vez parece que nada de mais aconteceu, alem é claro do lapiz de olho da Roberta ter ficado um pouco mais forte, pois ela deve ter retocado no banheiro.
      Juliet pegou um pedaço de papel com a amiga e uma caneta de nankin, e começou a rabiscar num pedaço de papel. Enquanto isso eu foliava um livro que tinha pego lá perto, escrito por uma amiga paulista. Ela acabou de escrever, me chamou e pediu minha ajuda com uma coisa de francês que ela não lembrava mais. Eu achei estranho, afinal ela fala isso desde que nasceu, mas me propus a ajudar. Na folha de papel as palavras: “Imaginez que nous débattons de ce qui est écrit ici. Je dois vous demander une chose.” (“Finge que estamos debatendo o que está escrito aqui. Preciso te perguntar uma coisa.”)  Me assustei a principio, mas tentei parecer natural. Olhei pra ela e perguntei: “Qu'est-ce qui se passe?” E a pergunta que ela tinha pra fazer era aparentemente boba. Ela perguntou se eu estava namorando. Respondi que não mais, pois tinha saído de um namoro a pouco mais de um mês.
      Para a minha surpresa a pergunta seguinte. Se eu estava vendo que o Filipe estava me “olhando”. Sim, este olhando foi reforçado com gestos de aspas. Fiquei pasmo, e quando esbocei me virar pra verificar, numa atitude completamente idiota, ela me advertiu que parasse. Conversamos mais um pouco, porem ela disse que queria só me contar isso. Eu demorei um tempo pra me dar conta, mas fazia sentido sim. Pelas atitudes que ele vinha tomando a tarde toda... Porem ficava a duvida: O que fazer?
      Nunca pensei em ficar com ele, mas era inegável que poderia perfeitamente acontecer. Ele é bonito, inteligente, simpático... Espantava-me cogitar algo assim, mas já que estava na situação, não havia outro remédio alem de pensar na melhor atitude e tomá-la o mais rápido o possível. Sei que ele está saindo de um relacionamento complicado, e com uma garota, e pode ser que não passe de carência... Ou ainda, pode ser que não passe de uma serie de coincidências... Não... É real... Basta esperar e ver o que vai acontecer...
      Os pedidos chegaram bem a tempo de interromper minha reflexão. Todos foram se servindo, e por incrível que pareça, achei meu pedido muito mais nobre depois que o vi. Era uma linda xícara de porcelana com pintura a estilo portuguesa cheia de café escuro e soltando fumaça. Ao lado um pedaço retângulas médio de bolo claro e bem aerado, com uma pequena flor ao lado, de decoração. Uma mão pousou em meu ombro, e me virei pra ver:
      - Isso é que é uma baunilha? – Disse Filipe, segurando a flor que havia tirado do prato. – Sempre achei que elas fossem brancas...
      - Não, isso é uma violeta. Flores de baunilha são amarelas e parecem orquídeas, mas o que usamos pra preparar comida são as vagens secas, que são pretas. Elas não chegam a corar o bolo por que se usa muito pouco, pois o cheiro é muito forte. Mas gosto de violetas. Elas são roxas... Amo roxo...
      Sorri e ele retribuiu o sorriso. Virei pra voltar a apreciar os detalhes da minha xícara. As pinturas eram pastoris, com fazendas, gado... tudo em um tom de azul muito bonito. O café tinha um cheiro ótimo, mas não gosto dele muito quente, logo iria começar comendo o bolo. Quando fui pegar a talher, notei em meu prato duas violetas, e não mais uma. Olhei para o prato do Filipe e não tinha mais flor nenhuma. Ele estava olhando de lado para mim, fingindo (muito mal) que não estava observado. Sorri e disse obrigado e voltei pro meu bolo.
      Como me preocupava muito em estar no assunto da mesa, por mais que o bolo estivesse delicioso, quando todos acabaram eu ainda estava com um terço do meu bolo no prato. Não demorou muito e meu irmão e o Breno foram olhar os livros que eles usariam este ano na faculdade. Filipe já tinha saído a algum tempo pra olhar um livro que queria comprar. Assim ficamos só eu e as meninas na mesa. Esta era a oportunidade certa que Juliet esperava pra falar.
      - E ai? Você não vai fazer nada não?
      - Eu, fazer o que?
      - Que tal começar olhando no fundo dos olhos dele e falando “Aishiteru...” e tascar um beijo nele. – E o pior é olhar pra cara da Roberta e ver que ela está falando serio. 
      - Eu não posso fazer uma coisa destas! Primeiro que ele é um amigo, segundo por que ele é hetero!!! Não vai rolar, gente!!!
      - Alastus! Este menino ta ai a duas horas do seu lado, pensando que ta numa gôndola em Veneza, louco pra ver uma atitude sua. Hetero? Heteros dão flores assim pra outros homens? – Juliet olha fixo em meus olhos. Era inegável ver verdade no que ela falava.
      - Bom. Esteja você pronto ou não, seu oujisama vem ai! Juliet, me deu uma vontade de procurar uns DVDs de animes. Vem comigo!!!
      Antes que eu pudesse pensar em algo, estava sozinho na mesa... Correção, Filipe logo se sentou ao meu lado, e trazia consigo um livro de Gonçalves Dias. Sorri e perguntei:
      - Não sabia que gostava deste tipo de poesia. Por que este livro?
      - Queria ler algo pra você, pode ser?
      Fiquei gelado. Ele Estava meio embaraçado, como quando decoramos um texto e esperamos horas até ter coragem. Não podia negar um pedido assim, por mais que saiba que possa ser não inocente... A quem estou enganando? Adoraria que ele lesse pra mim. Acenei com a cabeça e ele começou a ler.
      
      Vês como aquela baunilha
      Do tronco rugoso e feio
      Da palmeira - em doce enleio
            Se prendeu!
      Como as raízes meteu
      Da úsnea no musgo raro,
      Como as folhas - verde-claro -
            Espalmou!
      Como as bagas pendurou
      Lá de cima! como enleva
      O rio, o arvoredo, a relva

      Já tinha relaxado um pouco e me reclinava pra acompanhar no livro o poema. Ele arredou sua cadeira pra perto da minha lentamente, pra me dar uma melhor visão da página amarelada...

            Nos odores!
      Que inspiram falas de amores!
      Dá-lhe o tronco - apoio, abrigo.
      Dá-lhe ela - perfume amigo,
      Graça e olor!
      E no consórcio de amor
      - Nesse divino existir -
      Que os prende, vai-lhes a vida
      De uma só seiva nutrida,
      Cada vez mais a subir!
      Se o verme a raiz lhe ataca,
      Se o raio o cimo lhe ofende,
      Cai a palmeira, e contudo
      Inda a baunilha recende!
      Um dia só! _ que mais tarde,
      Exausta a fonte do amor,
      Também a baunilha perde
      Vida, graça, encanto, olor!

      Foi nesta hora que senti que ele estava com a mão por cima do meu ombro e eu como um tolo já estava com a cabeça no seu ombro. Era inevitável... Eu estava me entregando de bandeja... Neste momento meu coração já pulsava como uma bomba relógio... Uma hora ele iria explodir... Estava nos braços de um garoto lindo e doce que me lia lindos versos de Gonçalves Dias, não podia resistir aos meus impulsos de que isso é a coisa mais romântica do mundo e que queria viver isso pra sempre...

      Eu sou da palmeira o tronco,
      Tu, a baunilha serás!
      Se sofro, sofres comigo;
      Se morro - virás atrás!
      Ai! que por isso, querida,
      Tenho aprendido a sofrer!
      Porque sei que a minha vida
      É também o teu viver.
      
      Ele fechou o livro e olhou pra baixo por um instante... Sabia o que ele queria, mas não sei se deveria... Sei apenas que naquele momento eu também queria... Olhei pra ele, ele me olhava... Coloquei a mão em seu queixo e a subi deslizando lentamente ate a sua nuca... Aproximamos nosso rosto...
      Quando todos voltaram o meu café finalmente estava frio.
    

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Delírio Pré-sono

Ok, sei que você vai negar
Mas sabe quando você deita de noite
E vê o seu quarto vazio e sem ninguém
Se fechar os olhos por um instante
Vai sentir um desejo inigualável
De estar com alguém
(onde alguém pode ser qualquer que queira,
E estar pode ser entendido de diversas formas)
Mas será inevitável pensar
Que sente o sussurrar na sua orelha
Ou a respiração lenta na sua nuca
Quando ver estará se derretendo
E tendo alucinações de um amante
Que na verdade é apenas vento
Sentirá tocar seus lábios
Mas será apenas sua mão
Sentirá acariciar um corpo
Mas será apenas ser travesseiro
E torça pra não se dar conta das ilusões
Pois se delas despertar de repente
Passara uma triste noite de solidão
E às vezes vale mais a pena
Fechar os olhos e continuar a desejar

Ok, sei que vai dizer que nunca se sentiu assim
Que é uma coisa idiota de gente carente
Mas eu sou uma pessoa idiota e carente
Que passou por isso diversas vezes
E tem passado ultimamente...


ANOTHER NIGHT ALONE by ~darkprophecy on deviantART

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Parte 1: "Como imãs"

     "Como imãs", pelo menos é o que dizia a letra da musica que eu sempre ouvia. Mas neste caso em particular um imã um pouco diferente. Ele era muito diferente de tudo que eu tinha em mente, porem não tinha duvidas de que queria (e ainda quero) passar o resto da minha vida com ele. Não era nada muito, nem muito bonito, nem muito inteligente, nem muito nada... Talvez isso o tornasse tão especial pra mim, a final é dado estatístico que quem é muito bonito não é lá genial, e vice e versa. (Por isso existe Nobel e Miss Universo, por que ambas as qualidades são boas.) 
     Consegui a proesa de encontrar um rapaz que não é o colosso de Dionísio, mas é lindo em cada detalhe de seu sorriso e de seus contornos definidos unicamente pelo trivialmente belo. Ele também não é um gênio, que não sabe integrar nem derivar, mas que sabe ser gente, sabe da vida, que porta uma sabedoria impar em muitas coisas, tão impar que merecia um Nobel (Não de Física ou da Paz, mas sim de “Vivencia”). O que mais eu poderia querer?
     Na verdade o que eu sempre faço é querer um pouquinho a mais do que o que eu atualmente tenho. Isso me ajuda a nunca desistir de tentar melhorar, de evoluir. Quanto a este garoto, o que eu queria pode não parecer muito pra vocês, mas pra mim é: Eu queria que ele gostasse de mim de algum modo. Isso não é algo pelo qual se possa batalhar da mesma forma de quem quer correr dez quilômetros ou comer três pizzas família sozinho. Não adianta treino ou uma alimentação, ou ainda uma mandinga qualquer. Quando se quer que alguém goste de você, o máximo que pode fazer é ser você mesmo! Parece besteira de filme romântico, né? Mas se não estiver sendo você, a pessoa não vai gostar de você, e sim da coisa que está fazendo.
     Na verdade tem algo que podemos fazer pra tentar saber se estamos tendo êxito no que queremos: Tentar fazer com que a pessoa demonstre que gosta de você. Outra coisa não muito trivial. Uma vez li num livro qualquer que o que temos que fazer é chegar nosso rosto bem perto do da pessoa, pedir pra ela não se mexer, soprar bem de leve, observar as reações e depois simplesmente dizer que tinha um cisco nos olhos dela. Sinceramente, eu já fiz. Não recomendo, por que geralmente a pessoa fica imóvel e você só acaba descobrindo que se chegar o rosto perto do daquela pessoa mais uma vez vai acabar beijando ela sem nem pensar nas conseqüências.
       Já não tendo estratégia nenhuma, a melhor coisa a fazer (e é o que eu fiz) é tentar se aproximar até que a pessoa demonstre estar mesmo afim. Caso alguém ai tente essa tática, tomara que tem há tanta sorte quanto eu, pois quando a demonstração da pessoa veio, foi tão marcante e especial, que escrevi o que tinha escrito num papel e coloquei no meu travesseiro, para que quando eu acordasse pensando que tinha sido mais um sonho bom, tivesse onde me certifica se era sonho ou não...  



Continua...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amor e Responsabilidades...

"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé." (Le Petit Prince)

    "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Uma raposa falou isso para um pequeno príncipe de um planetinha sem importância... Pena, nem todos nos somos príncipes. E tantas são as vezes que achamos que estamos lidando com um e infelizmente nos iludimos.
     Por tempos eu achava que sendo um príncipe, seria cercado de pessoas que vendo meu jeito de agir e entendendo como eu penso, pensariam da mesma maneira. Via-me como um mentor de inúmeros principezinhos que sairiam por ai ensinando outros tantos... Ledo e infantil engano...
     Talvez eu seja o ultimo “ouji-sama” do mundo... O ultimo que vai dizer “Eu te amo” Sempre que sentir que ama alguém de verdade, mesmo que a pessoa não esteja perto pra ouvir. Talvez o ultimo a sentir real falta de alguém, a pensar na pessoa amada o dia todo, a não esperar ser amado, e sim respeitado como amante que é... Talvez o maior dos equívocos seja achar que de uma fabula de Antoine de Saint-Exupéry poderia tirar meu jeito certo de viver, e achar que todos deveriam pensar assim...
     Porem, relendo as páginas eu vi um fato que não tinha me atentado... As vezes é necessário cativar também... É nesta parte que talvez tenha falhado... Porem, tudo que fiz até agora foi encher uma folha de “talvez”.
     O jeito é esperar o próximo que me cative, e torcer pra que o ultimo que me tenha cativado saber de seu feito e do peso que ele acarreta... Quanto ao futuro, eu não sei, mas espero um daí olhar no fundo dos olhos de alguém e dizer: “Eu TAMBEM te amo!”

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Volta de Meus Dias Roxos

    Hoje acordei e me dei de cara com uma realidade louca que a tempos não via: O céu nublado lindo das manhas de fim de primavera, o vento agradável, as arvores verdes, as pessoas sorriam mais uma vez... A minha triste fase cinza resolveu tirar férias!  Como é bom ter meu mundo multicolorido de volta, ter meus sentimentos roxos, minhas vontades azuis, minhas ânsias e desejos tão tangíveis que já os sinto perto de mim.
     Minha amada criatividade voltou! Penso em bosques, montanhas, rios... Cada folha de arvore caída no chão, uma linha de poesia... Ah, e os meus amores de tinta, que não são nem de perto amores, mas são a eles que digo as palavras que não tenho coragem de dizer a quem realmente queria... Mais uma vez consigo os imaginar falando doces palavras de amor, tudo por que agora tenho alguém que diz estas palavras pra mim em meus sonhos.
     E também as minhas viagens lúcidas, como derramar acido na bancada... Como errar contas estúpidas mas acertar toda a teoria... Como simplesmente para, olhar pro céu e ver como ele é lindo. Viajem das quais tinha me privado, ou melhor, das quais meus sentimentos tristes tinham me privado. Viagens que me tornam tão eu...
     É ótimo não ficar mais na janela olhando as nuvens passarem, como que se o tempo ruísse e acabassem todas as nossas chances de sermos felizes. Hoje me peguei de novo olhando as gotas de chuva caindo e pensando no meu antigo sonho de dar meu primeiro beijo debaixo de uma tempestade... Parece imbecil, não é? Mas sim, ainda faço incríveis viagens sobre meus “primeiros”. O primeiro cara que me disser “Eu te Amo!”... A primeira vez que de caminharmos de mãos dadas... A primeira vez que eu o apresentar pra um amigo...  Todos planos mirabolantes do meu consciente criativo... A algum tempo não revisava estes sonhos... Acho que o que me fez retomá-los foi a chance de tentar vê-los com outro rosto como pessoa amada... E tem sido muito bom!
     Obrigado, você tem me feito tanto mesmo sem saber. Você conseguiu me dar uma felicidade que talvez nem saiba... Neste momento, me passam mil maneiras de montar frases de satisfação e de agradecimento, mas nada mais perfeito He do que isto que sinto. Aceite estas simples palavras que escrevi acima como as confissões de um poeta que, por melhor que seja, não tem capacidade pra te agradecer como você merece...

domingo, 14 de novembro de 2010

Se as Sombras Falassem...

     Percebeu como também consigo ser doce as vezes. Até o escuro da noite pode te surpreender... Por que seu coração bate tão rápido? Sei que a tempos espera por isso... Por um acaso minto pra você? Nunca menti... Minhas sombras te assustam, não é? Com o tempo vai se acostumar, apenas relaxe agora. 
      Adoro quando serra seus olhos. Esta gostando, não esta... Deslizo por seu corpo... Sensação de perigo, arrepios. Sente a minha respiração, mas é impossível ver as sombras... E talvez seja isso que me torne mais sedutor... O Desconhecido... O Escuro... A Solidão... Mãos frias que te tocam, e por mais que você tenha medo não consegue resistir... Sou seu temor e seu desejo, sucessivos...
     Misturamo-nos... Deixe-se levar para um nível ainda maior de delírio, prazer e êxtase... Sei que tem receio de perder o controle, mas não há mais como evitar, está rendido de prazer, de desejo... O medo já se tornou outra sensação, uma mais animal, mais volátil... Esta sensação arde dentro de você, te consome... Sou eu o tempo todo... O prazer que você sempre buscou esta em mim, e em minhas sombras que te envolvem...
     Vamos, dê tudo de si. Arrepios, gemidos, gritos... Quero verte se retorcer de prazer... Mas seja ligeiro, antes que o sol nasça ou a luz acenda, e você perceba que não existo, e que está sozinho em seu quarto...


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Lilium Parte 2

Uma Campina, Uma Laguna e Alguns Vagalumes

     A noite continuava fria. Parte da nevoa que cobria a água adentrava na campina, o que destacava os pontos luminosos que flutuavam no ar. Focamos eu e Bruno observando Ana partir, mas ambos em silêncio. Pouco a pouco a luz da lamparina se apagou no meio das arvores, deixando apenas nos dois no meio da noite. Ficamos nos fitando algum tempo, talvez a espera de que alguém concordasse em começar a falar. Não demorou muito até que eu me sentisse invadido por uma sensação muito estranha, minhas bochechas corarem e vir a minha boca um impulso inevitável de rir.
     – O que ouve? Fiz alguma coisa errada? – Indagou Bruno, com um ar de preocupação, mas também contendo os risos.
      – Então você pediu a Ana que nos apresentasse e ela pediu em troca que a ajudasse a procurar os lírios?
     – Bem... Na verdade ela veio com uma conversa que ela me viu observando você enquanto desenhava, e que poderia me ajudar a chegar perto de você, desde que a ajudasse. Desculpe...
     – Que isso, ela fez exatamente a mesma coisa comigo. – Rimos os dois. – Na verdade era por causa disso que ela veio falar comigo. – Tirei o desenho que avia feito do bolso e dei na mão de Bruno, enquanto me sentava ao seu lado.
     Bruno olhava o desenho inerte... Vi seus olhos deslizarem por sobre a folha algumas vezes, como se quisesse dissecar cada mínima parte, sorver cada detalhe. Não demorou e ele abaixou o rosto e começou a chorar. Meu coração gelou. Será que fui eu quem fez algo errado? Ajoelhei do seu lado e o coloquei a mão em seu rosto. A barba por fazer estava molhada e seu rosto tremia suavemente. Cheguei mais perto e tentei descobrir o que se passava:
     – Desculpe... Fiz algo errado? – Peguei sua mão e trouxe à frente de meu rosto, apertei-a forte a fim de lhe passar confiança. – Me diga, o que houve? Pode falar, eu sou um estúpido, não sou? – Já estava começando a chorar também, por puro efeito da falta de resposta... – Pode falar! Fui o meu desenhos? Fiz algo que você...
     – Não... – Disse me interrompendo. – Não é isso... Bem...
    Ele olhou em meu rosto, em meus olhos. Silencio total a não ser pelos sons da noite. Eu olhava para seus olhos que refletiam a luz dos vagalumes.  Senti quando sua mão se soltou da minha e foi lentamente ao meu rosto. Em sua rota, algumas pausas, como se bruno receasse minha reação. Ao me tocar, sua mão se mostrava incrivelmente quente comparada a noite que nos circundava. Não pude evitar de fechar os olhos e apenas apreciar o carinho no silencio.
     Sua mão deslizava por minha barba, também por fazer, e me causava doces arrepios. Ao mesmo tempo eu reclinava meu rosto por sobre sua palma. Não sei por que, mas simplesmente o fazia, como se ela fosse um travesseiro, que me atraísse e me acolhesse. A mão foi deslizando para meu pescoço. Os arrepios se tornavam mais e mais fortes, a ponto que serrei os olhos. Ao fazê-lo vi que o rosto de Bruno já estava a menos de um palmo do meu... Não podia mais evitar, sua mão já estava em minha nuca e já sentia a sua respiração... Fechei os olhos novamente e esperei que meu corpo falasse por si só.
     Senti seus lábios tocarem os meus pôs um segundo, mas foi o suficiente para que eu sentisse meu coração se chocando contra meu peito. Eu estava apaixonado, já era inegável. Abri os olhos, olhei diretamente para os olhos de Bruno, cruzando nossos olhares. Passei minha mão ao redor de seu corpo... Seu coração também pulsava forte... E mais uma vez um beijo, desta vez com mais segurança... Mais certeza... Mais paixão...
     Mais alguns minutos nos beijando, minutos eternos para falar a verdade, ate que nos deitamos na grama e começamos a conversar...
     – Nossa... A Ana fala muito de você, Alastus. Hoje tive certeza de que é mesmo alguém tão legal quanto ela falava...
      – A Anain é uma mãe e uma irmã pra mim... Não sei o que faria sem ela por perto. Já me ajudou muito... Bem, e agora ela me apresentou você, não é...
      – Anain? Por que Anain?
    – Ah, é uma longa historia. Longa de mais para gastar o meu tempo quando poderia estar aprendendo mais sobre você... Então, de onde você é, Bruno?
     – Sou de Brasília, mas moro no Rio. Trabalho no jardim botânico, e sou biólogo de insetos. Vim para o Okefenokee para estudar comportamento social de um grupo de vagalumes. E você? Não é cosmo-físico? Por que está num pântano?
     – Simples. A Anain queria muito vir. Porem não queria vir sozinha. Eu fui o único que não iria causar ciúmes no marido dela nem deixar o Pablo, pai dela, furioso. Mas estou aproveitando. Escrevendo, desenhando... E alem disso eu prometi ajudar a Anain a achar o lírio... Falando no lírio, acho que deveríamos procurá-lo, não?
       – Verdade, a Ana já fez muito por hoje.
     Levantamos a fomos caminhando pelo campo, nos atentando a parte mais úmida, a fim de ver algum sinal da planta. O vento era frio e cortante, de modo que seguimos abraçados para não sofrermos tanto com o frio. Eu particularmente estava adorando... Algum tempo depois chegamos a beira do rio, mais nada havia alem de água e talvez alguns crocodilos. Foi quando Bruno exclamou:
     –Alastus!!! – Deu-me um beijo rápido e foi correndo. Fazendo sinal para que  viesse com ele. Corri para acompanhá-lo, porem ele era rápido, de modo que tive que apertar o passo para não perde-lo de vista. Passamos por onde estávamos, e ele continuava correndo...
     Mais alguns instantes e então vi que ele pará-ra perto de algo incrivelmente brilhante. Um nuvem imensa de vagalumes que voavam ordenados por sobre uma pequena laguna. E as margens da laguna, iluminados pela luz verde, os pequenos lírios, delicados, perfeitos...
     – Os vagalumes comem lesmas e caracóis, que moram em pequenas lagunas. Lírios do pântano gostam de alagados. Assim, para achar um lírio, basta seguir a luz. – abaixou na beira da laguna e ficou olhando para os vagalumes dançando sobre o espelho d’água. – Como pode ver, na natureza as coisas precisam de outras. Elas coexistem em harmonia de forma que tudo se nutre e sustenta.
    – Na biologia vocês chamam isso de ecossistema, não é? Em meus poemas costumo a chamar isso de amor. – Abaixei-me do seu lado e pus minha mão sobre a dele. Em silencio aproximei meu rosto do dele e dei-lhe um segundo para respirar antes de prosseguir. – Sei que é meio sedo pra isso, mas eu queria te pedir uma coisa. Quando voltarmos pro Brasil, gostaria de não ficar longe de você... Sabe, eu... Vou sentir sua falta...
     Bruno pois a sua mão que eu não segurava em minha boca e me calou. Fiquei apenas olhando seus olhos enquanto esperava por uma resposta. Ele me ergueu e ficou de pé na minha frente, segurando minhas mãos por um instante. Pouco tempo depois ele já deixava escorrer a primeira lagrima. Era difícil de explicar como ele fazia isso, mas toda vez que o via chorando meu coração batia rápido e eu sentia um aperto no peito. Ele me abraçou, e disse perto de minha orelha com uma voz baixa e suave, porém muito feliz:
     – Não sei por que, mas estou apaixonado por você. Sei que eu moro no rio, e você em Minas.Sei que eu sou biólogo e você físico... Sei que tudo conspira contra, mas acho que temos que tentar. Se eu te deixar passar por minha vida, não suportarei olhar minha cara no espelho depois... Você acha que suportaria passar os seus dias comigo, ate que não nos suportemos mais, ou ate que um de nos morra? Sei que está sedo para pedir uma...
     – Quero ser seu namorado. – Disse o interrompendo. – E se me suportar, pretendo sê-lo por muito tempo.
      Não podia ver sua face, mas pelo que eu ouvia e sentia ele estava sorrindo e chorando o dobro de antes. Não resisti a meus impulsos e chorei junto dele. Mais alguns segundos e nos entreolhamos. Foi como se nossa felicidade em ter achado alguém para dividir a solidão se somasse criasse uma aura única de amor e afeto... Um olhar... A mão no rosto novamente... Um carinho... Um beijo...
     E assim fechamos este conto. O que aconteceu depois? Uma vida feliz e contente. Ou talvez um namoro que acabou numa crise boba de ciúmes. Ou ainda uma paixão ardente que não durou até o nascer do sol. Estes personagens são fruto de minha menti, e agora, passo-os  a vocês que os deram vida no fundo de seus inconscientes. Sei que anseios e fantasias podem querer um final feliz. Sei também que a racionalidade prevê algo menos concreto. Mas acho que vale a pena deixar a sorte falar, não?